Observatório de Sergipe apresenta Cartas Imagens de sedes municipais sergipanas

O Observatório de Sergipe apresenta à sociedade uma série de Cartas Imagem de 62 sedes municipais sergipanas.  Estas cartas são resultantes do trabalho realizado a partir dos dados da Base Cartográfica de Sergipe 2010, com o objetivo de apresentar mais um produto que contribua para o conhecimento do território e para o gerenciamento de políticas públicas.

A Carta Imagem apresenta uma série de informações geográficas e tem o importante papel na identificação, mapeamento e entendimento dos processos que atuam sobre o espaço geográfico, servindo como suporte ao ordenamento do território em escala municipal.

Para a elaboração das 62 Cartas Imagem foram utilizados dados provenientes do mapeamento aerofotogramétrico de Sergipe, como logradouro (ruas, estradas), edificação (prédios públicos e de importância para as comunidades locais, etc.). Também foram levadas em consideração informações sobre área urbana como localização de praças, estádios, dentre outros equipamentos públicos.

A relevância do nível de detalhamento desse produto cartográfico gerado pelo Observatório de Sergipe se dá na medida em que possibilita a visualização da distribuição dos objetos no terreno, e de características específicas de todas as sedes municipais mapeadas; além de permitir o acompanhamento espaço-temporal do crescimento urbano em cada localidade representada.

As 62 Cartas Imagem estão disponíveis para download no site do Observatório de Sergipe, na seção “Geografia e Cartografia de Sergipe”, neste link: http://observatorio.se.gov.br/geografia-e-cartografia-de-sergipe.html. Os usuários deverão clicar na subseção “Bases Cartográficas” e, em seguida, buscar o item “Cartas Imagem”.

A Base Cartográfica de Sergipe, que deu origem às Cartas Imagem, é uma base cadastral das sedes municipais do estado, com fotografias aéreas na escala 1:2000 de vôos realizados entre 2009 e 2010. Alguns dos dados da Base Cartográfica de Sergipe estão disponíveis no site do Observatório de Sergipe. A Base completa está disponível na Superintendência de Estudos e Pesquisas (SUPES) da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG).Imagem

Seminário: Perspectivas do Desenvolvimento Sergipano e Censo Demográfico 2010

No último dia 18/05, com as palavras da secretária adjunta da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG-SE), Ana Cristina Carvalho do Prado Dias, deu-se início ao seminário “Perspectivas do Desenvolvimento Sergipano e Censo Demográfico 2010”, que aconteceu no auditório do mencionado órgão e é voltado especialmente para técnicos, gestores governamentais, comunidade acadêmica, pesquisadores e analistas socioeconômicos. Dividem a promoção do evento a SEPLAG – através da sua Superintendência de Estudos e Pesquisas -, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) – através do Departamento de Estatísticas e Ciências Atuariais -, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Secretaria de Inclusão Social e Combate à Pobreza (SEIDES).

Foram abordados assuntos relacionados a aspectos metodológicos e avanços apontados pelo Censo 2010, pobreza em Sergipe, desafios ao desenvolvimento sergipano e implemento de portal de informações. A ação, que também conta com o apoio da Escola de Governo de Sergipe, tem o intuito de apresentar os principais resultados do Censo Demográfico 2010 para Sergipe, discutir os avanços e as permanências sociais da última década, construir um cenário prospectivo dos principais desafios enfrentados a partir de 2010 e unir em uma única rodada de discussão os principais atores do desenvolvimento econômico e social sergipano.

Apresentaram-se a chefe da Unidade Estadual do IBGE em Sergipe, Adriane Sacramento, o diretor de pesquisas, estudos e análises do Observatório de Sergipe, Marcelo Cruz, o diretor de Planejamento da SEIDES, Ciro Brasil, e o professor doutor do Departamento de Ciências Atuariais da UFS, Kleber de Oliveira. Na sua maioria, o público foi formado por servidores técnicos dos diversos órgãos da administração pública.

As apresentações podem ser acessadas através dos links abaixo.

Seplag divulga estudo sobre resultados do Censo 2010 para o analfabetismo em Sergipe.

Ascom/Seplag

A Secretaria de Estado do Planejamento Orçamento e Gestão (SEPLAG), através do Observatório de Sergipe publicou hoje, quarta-feira (14/03) estudo sobre o analfabetismo em Sergipe. Esse estudo teve como base os dados do Censo Demográfico 2010 (IBGE) e aborda o comportamento das taxas de analfabetismo para o Brasil, região Nordeste, além dos municípios e territórios sergipanos.

De acordo com o estudo, a taxa de analfabetismo entre pessoas maiores de 15 anos diminuiu no Brasil nos últimos 10 anos, passando de 13,63% em 2000 para 9,65% em 2010. O Nordeste apresentou uma taxa de 19,06%, sendo a maior entre as regiões brasileiras.

Sergipe atualmente conta com 278.221 pessoas de 15 anos ou mais de idade que não sabem ler ou escrever, representando um percentual de 18,4%. Apesar da taxa ser elevada, comparando o censo de 2000 com o de 2010, nota-se uma queda de 6,9% nesse percentual. Em 2000, Sergipe apresentava 25,32% de sua população analfabeta.

Quanto aos territórios de Sergipe, verifica-se que o Alto Sertão (Canindé de São Francisco, Gararu, Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora de Lourdes, Poço Redondo e Porto da Folha) apresentam a maior taxa de analfabetos do Estado. Além disso, Canindé do São Francisco exibe a maior taxa do estado, representando 29,96%, enquanto Aracaju situa-se entre os menores índices. Embora os percentuais sejam ainda acentuados, verifica-se uma tendência de queda nas taxas de analfabetismo em todo o país, o que merece atenção de estudos mais aprofundados.

“O Observatório de Sergipe, além de subsidiar os gestores públicos com dados e informações, estudos e pesquisas em políticas públicas, se coloca à disposição da sociedade através da disseminação e divulgação de dados econômicos, geográficos, estatísticos e cartográficos que fomentem a realização de estudos e pesquisas acadêmicas em áreas estratégicas”, afirmou Walter Uchôa Dias Júnior, Superintendente de Estudos e Pesquisas e coordenador do Observatório de Sergipe.

Segundo o Superintendente, a interação com as instituições de ensino e pesquisa são fundamentais para a gestão pública, porque auxiliam na compreensão da dinâmica da sociedade no território sergipano.

“Ainda este ano, estamos realizando parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa a á Inovação Tecnológica de Sergipe (Fapitec) para realização de estudos e pesquisas que visam diagnosticar a pobreza e a vulnerabilidade social em Sergipe, e a situação da educação é um dos temas centrais a serem analisados”, afirmou Walter Uchoa.

A publicação completa, incluindo os dados utilizados para a elaboração do estudo, estão disponíveis no portal do Observatório de Sergipe através do endereço www.observatorio.se.gov.br.

Base de dados geoespaciais sobre Sergipe (V1.0): abrindo os dados, socializando conhecimento.

 Simone Sardeiro
Geógrafa, Especialista em Geoprocessamento (GIS Green River Community College/USA). Assessora Técnica do Núcleo de Geografia e Cartografia do Observatório de Sergipe.

Edson Magalhães Bastos Júnior
Geógrafo, Especialista em Geotecnologias. Coordenador do Núcleo de Geografia e Cartografia do Observatório de Sergipe

O Observatório de Sergipe lança mais um produto, o banco de dados espaciais com informações sobre os Censos demográficos 2000 e 2010, bem como estatísticas vitais, informações territoriais de dados econômicos para o Estado de Sergipe.

Os dados foram tabulados em formato de planilha eletrônica (Excel) e vinculados às informações gráficas de limites municipais, gerando um banco de dados geográficos no formato Esri file geodatabase. Inicialmente, são disponibilizadas 74 variáveis que envolvem temas sobre demografia, divisão territorial, domicílios, educação, renda, indicadores econômicos e finanças municipais.

A formatação dessa base de dados permite ao usuário de geoinformação, ou não, liberdade e flexibilidade para construir suas próprias análises e mapas, conhecendo melhor as condições de vida da população nas áreas urbanas e rurais.

CONTEXTUALIZAÇÃO

Numa época em que a sociedade privilegia a informação como necessidade básica para o planejamento e desenvolvimento de políticas públicas, fundamentada em uma base de conhecimento sobre a realidade local, o Observatório de Sergipe disponibiliza o banco de dados espaciais com informações a nível territorial com dados econômicos e estatísticas vitais para Sergipe.  A iniciativa se insere no projeto de implantação do Sistema Estadual de Informações e agregará uma gama de dados sobre Sergipe em diversos temas.

A iniciativa é uma estratégia de disseminar dados dos Censos, contribuindo também para a alfabetização cartográfica da sociedade, que envolve experiências de ensino/aprendizagem em representação do espaço e incentivar o uso da geoinformação entre os gestores públicos e comunidade científica.

Trabalhar com a geoinformação significa utilizar Sistemas de Informações Geográficas, que aliam a Informática à Cartografia para realizar análise complexas. O Geoprocessamento é uma tecnologia interdisciplinar, que tem na análise espacial um lugar comum para as diferentes disciplinas do conhecimento. Serve para fundamentar estudos e pesquisas nas mais variadas área de interesse.

O arquivo em formato Geodatabase, que é a sigla de Geographic Data Bases (Banco de Dados Geográficos) representando uma nova geração de banco de dados georreferenciados. É uma forma organizada de trabalhar as informações geográficas, porque, nesses formatos, além dos dados “puros”, é possível armazenar regras de representação visual, funções e relacionamentos entre as categorias e um dicionário de dados (metadados), que auxilia o usuário na correta utilização das informações.

Sig Sergipe

O Sistema Estadual de Informações sobre Sergipe está em fase de desenvolvimento e prevê a disponibilização de dados cartográficos de alta precisão tanto para qualquer localidade do estado.

Em Sergipe observa-se ainda uma quantidade muito grande de dados não sistematizados, o que compromete seu acesso e sua utilização tanto pelo gestor publico como pela sociedade geral. Esta ação representa um esforço pela democratização da informação e está relacionado ao conceito de open data.

Nas edições futuras serão incorporados novos dados do Censo 2010 e mais informações geográficas sobre o Estado de Sergipe.

Confira a matéria publicada no portal da Seplag, em www.seplag.se.gov.br.

A Adequabilidade do Saneamento nos Municípios Sergipanos*.

Walter Uchôa Dias Júnior
Geógrafo
Superintendente de Estudos e Pesquisas/Seplag
Coordenador do Observatório de Sergipe

 

*Publicado no Jornal da Cidade em 14/02/2012.

Dando prosseguimento a divulgação dos resultados do Censo 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em novembro de 2011, dados com resultados dos Indicadores Municipais, abordando os seguintes temas: Aspectos Populacionais, Cor ou Raça, Composição das Unidades Domésticas, Situação Educacional, Saneamento, Distribuição e Diferenciais de Rendimentos e Direitos Humanos e Indicadores Sociais.

Da gama de informações disponibilizadas nesta etapa de divulgação, o Observatório de Sergipe elaborou estudo analisando os dados das condições de saneamento domiciliar para Sergipe e seus municípios, podendo ser acessado em sua íntegra através do endereço: http://www.observatorio.se.gov.br/pesquisas-socioeconomicas2/164-estudos-especiais.html.  

No estudo, os domicílios foram classificados da seguinte forma:

– Domicílio com saneamento adequado (é aquele com escoadouro ligado à rede geral ou a fossa séptica, servido por rede geral de abastecimento e com destino do lixo coletado diretamente ou indiretamente pelos serviços de limpeza);

– Domicílio com saneamento semiadequado (possui acesso adequado em pelo menos um dos serviços de abastecimento de água, esgoto ou lixo); e

– Domicilio com saneamento inadequado (aqueles não conectados à rede geral de abastecimento de água, ao esgotamento sanitário e não possuidores de acesso à coleta de lixo).

Nordeste e Sergipe

Para a região Nordeste foi constatado que 40,02% dos domicílios particulares permanentes estão com bons índices de adequabilidade, 45,01% na categoria de semiadequado e 14,07% com padrões inadequados de saneamento, sendo esse o segundo maior índice, perdendo apenas para a região Norte.

Em relação aos estados nordestinos, observou-se que a Bahia (47,69%), Sergipe (47,47%) e Pernambuco (47,35%) apresentam os melhores desempenhos em relação à adequação de saneamento que, acompanhados de Paraíba (45,56%) e Rio Grande do Norte (41,97%), tem percentuais acima da média para o Nordeste (40,02%).

Já entre os domicílios particulares permanentes com índices de inadequação, Sergipe aparece com o segundo menor percentual nordestino, 9,43%.  O estado do Rio Grande no Norte (7,93%) lidera e Pernambuco (12,07%) aparece em terceiro.

O Saneamento nos municípios sergipanos

Tratando a condição de saneamento em visões municipais e territoriais, constata-se que Aracaju (86,53%), Carmópolis (81,59%), Propriá (71,39%), Telha (65,23%) e Tobias Barreto (60,46%) são os cinco municípios com maior percentual de adequabilidade.

Entre os dez primeiros, além da capital, aparecem também mais quatro municípios que fazem parte do Território da Grande Aracaju (N.S. do Socorro, B. dos Coqueiros, Maruim e Riachuelo). Esse alto percentual de domicílios com adequabilidade na Grande Aracaju está diretamente relacionado à concentração populacional (demandando mais ações públicas) e a importância que esse Território possui para o Estado, concentrando grande parte das atividades de serviços, indústria e comércio, evidenciando a crescente metropolização que além da capital estadual, envolve principalmente os municípios de Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros.

Gráfico 1: Domicílios com Saneamento Adequado, Sergipe – 2010.

Destacam-se também os altos percentuais de adequabilidade de municípios do interior sergipano, como Carmópolis, Propriá e Telha, bem como nos municípios que compõem os Territórios do Agreste, Centro Sul e Alto Sertão Sergipano.

Quanto à condição de semiadequação, São Domingos (96,94%), Malhada dos Bois (92,15%), São Francisco (89,98%), Areia Branca (86,91%) e Ilha das Flores (86,55%), apresentam os maiores percentuais de domicílios sendo atendido por ao menos um dos serviços citados no estudo. Ao fazer uma análise territorial, verificam-se maiores índices na porção nordeste, composta por todos os municípios do Médio Sertão e pelos municípios de Nossa Senhora das Dores (80,76%), Capela (75,55%), Japaratuba (79,90%), Japoatã (76,98%), Brejo Grande (80,50%), Neópolis (68,04%), Nossa Senhora de Lourdes (81,06%), Amparo de São Francisco (66,86%) e Pirambu (73,99%). Todos esses com percentuais acima de 62% de domicílios com status de semiadequabilidade.

Figura 1: Mapa Adequação dos Municípios Sergipanos – 2010.

Já para a situação “inadequado”, a zona mais homogênea com altos percentuais envolve os Territórios Centro Sul e Sul, sendo composta pelos municípios de Cristinápolis (26,14%), Tomar do Geru (42,89%), Indiaroba (23,61%), Umbaúba (18%), Riachão do Dantas (42,62%) e Simão Dias (28,38%), Salgado (36,82%) e Santa Luzia do Itanhy (32,35%).

Gráfico 2: Domicílios com Saneamento Inadequado, Sergipe – 2010.

O Baixo São Francisco demonstra um comportamento semelhante em sua porção mais litorânea, com Pacatuba (50,12%) e Japoatã (21,12%) apresentando os maiores percentuais. O Alto Sertão apresenta percentuais significativos de domicílios em situação inadequada de saneamento, com percentuais variando entre 15,5 e 26,1%, entretanto são altos também os percentuais de domicílios em situação adequada, dando ao mesmo um caráter intermediário ou se analisar municípios de outros territórios.

Considerações

Os indicadores socioeconômicos municipais representam um importante conjunto de estatísticas públicas que servem de base para o planejamento e a gestão de políticas públicas, permitindo traçar diversos panoramas e visões sobre a sociedade, abordando a características socioeconômicas, ambientais e culturais da população.

Nas próximas semanas, a partir da análise de microdados de pesquisas como o PNAD 2009 e CENSO 2010, a Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, através do Observatório de Sergipe, divulgará novos estudos, com informações por setores censitários e abordagens transversais que retratem de forma mais eficiente e especializada  a realidade de Sergipe.

Importação de Mão de obra no Brasil

*Carlos Manuel Machado Cardoso Neto
Assessor Técnico
Observatório de Sergipe
Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão de Sergipe

 

Nos últimos anos o Brasil tem chamado atenção do mundo, se destacando entre as economias emergentes e ganhando notoriedade perante a comunidade internacional, principalmente por usufruir de uma economia pujante e com uma demanda interna bastante aquecida. Apesar do crescimento do PIB não ser tão vigoroso quanto à maioria dos países emergentes, principalmente entre os BRIC (Brasil, Rússia Índia e China), atualmente é um dos países que mais atraem IED (Investimento Externo Direto), só no período de janeiro a setembro de 2011 entraram mais de 66 bilhões de dólares, recorde histórico.

Um recente estudo publicado pela Veja e desenvolvido pela The Economist destaca que a estabilidade política, seriedade para cumprir e respeitas os tratados e os organismos internacionais, as oportunidades de mercado respaldadas por políticas de investimento abertas, a grande disponibilidade de recursos naturais somado a uma demanda interna bastante aquecida e crescente têm sido determinante para a atração de IED. Diante desse cenário é intuitivo deduzir que o forte aumento dos investimentos em capital fixo produz efeitos benéficos na economia.

No entanto, ao passo que este crescimento acontece, ele atrai trabalhadores de outros países interessados em aproveitar essas oportunidades. Segundo os números do Ministério do Trabalho, houve um aumento de 34,5% nas autorizações concedidas aos trabalhadores de origem estrangeira até o terceiro trimestre de 2011 em comparação com o mesmo período de 2010. Só no terceiro trimestre de 2011 foram concedidas mais de 26.000 autorizações de trabalho, de julho a setembro de 2010 chegaram a 16.836. Em Sergipe o salto é ainda maior, até o terceiro trimestre de 2011 registrou-se um crescimento de 254% nas autorizações de trabalho concedidas.

O fato que chama à atenção é o perfil e a origem dos profissionais que aportam no país. Do total das autorizações concedidas no Brasil, 58% dos profissionais possuem nível escolar entre superior completo e doutorado, 32% possuem nível técnico e apenas 10% com grau de escolaridade não informado e/ou 2º grau incompleto. Quanto aos países de origem os cinco primeiros que mais “enviaram” trabalhadores foram os EUA, Filipinas, Reino Unido, Índia e Alemanha. Em Sergipe os países de origem mais representativos até o terceiro trimestre de 2011 foram à Noruega, Peru e Índia.

Esse movimento migratório ocorre, principalmente, pela atual conjuntura econômica mundial e pela a zona do euro e os EUA estarem em crise econômica desde 2008. O maior dos agravantes é a atual taxa de desemprego nessas regiões, na UE a taxa de desemprego está em 9,8% no total e quando estratificada entre os jovens (15 a 24 anos) é ainda maior e chega a 22%; nos EUA a taxa é de 9% no geral e de 16,7% entre os jovens.

Ao observar a evolução dos números nos últimos anos e analisar de que forma isso pode impactar na economia brasileira pode-se verificar algumas tendências. Apesar do número de trabalhadores estrangeiros ainda não ser muito representativo, quando comparado com as contratações totais da economia, no Brasil elas representaram 2,52% das contratações totais e em Sergipe esse número foi de 0,25% até o terceiro trimestre de 2011, já se constata uma tendência de mudança no fluxo migratório de trabalhadores em busca das melhores oportunidades.

As consequências para o Brasil seriam bastante positivas, desde que se tenham os cuidados necessários. Atualmente o Brasil está próximo de sofrer um “apagão” de profissionais especializados, só na área de tecnologia, informação e comunicação (TIC) há um déficit de 92 mil profissionais e segundo dados do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia o déficit de bacharéis em engenharia é de 20 mil por ano. A taxa de desemprego, segundo o IBGE, foi de 5,2% em novembro de 2011, de acordo com esse dado o Brasil estaria próximo do pleno emprego, ou seja, toda oferta de mão de obra estaria ocupada, salvo aquelas que estariam em mudança de emprego.

Quando a demanda por profissionais é superior à oferta, trabalhadores se encontram numa situação mais confortável de maneira que podem barganhar maiores benefícios junto aos empresários, entre eles maiores salários. Quando há aumento real na remuneração dos trabalhadores apresentam-se duas consequências. A primeira é o crescimento na demanda por produtos e serviços dado que há mais renda disponível para os trabalhadores e a segunda é que se elevam os custos de produção fazendo os empresários elevar os preços dos bens ofertados, concluindo em um aumento no nível de preços, aumentando a inflação!

O Brasil, ao longo de sua história, sofre de constantes pressões inflacionarias. Com a importação de trabalhadores especializados para o país, abrir-se-ia uma válvula de escape para a manutenção tanto do crescimento, evitando um “apagão” de oferta de mão de obra, quanto do nível de preços em um padrão controlado. Isso se explica por que o mercado de trabalho também esta sujeito à lei da oferta e procura, quanto maior a oferta de determinado produto ou serviço (no caso a força de trabalho) menor o preço pago por este. Aí ocorreria o primeiro grande benefício da importação de mão de obra, porque esse movimento serviria para equilibrar a oferta e demanda do mercado de trabalho, com isso adicionaria mais uma força no sentido de controlar a inflação.

Outros possíveis benefícios que ocorreriam seria a maior especialização no mercado de trabalho brasileiro e aumento da concorrência. Um aumento na oferta de mão de obra especializada aumentaria a busca por melhoria na qualidade da formação dos profissionais por parte dos brasileiros. É notório que as universidades européias e americanas gozam de melhores estruturas e conceitos perante a comunidade internacional, segundo o ranking produzido pelo Times Higher Education, do Reino Unido, entre todas as universidades brasileiras somente a USP apareceu na lista das 200 melhores do mundo, ainda sim em 178º.

O fato dos profissionais que chegam ao Brasil serem, em grande maioria, qualificados contribui para aumentar a competitividade das empresas brasileiras, porque o país também importa know how. A grande vantagem desse perfil de profissionais está na bagagem que eles trazem, pois há à incorporação de experiências, conhecimento de dificuldades e prática para resolver problemas. Há ainda um outro efeito derivado do acirramento competitivo entre os trabalhadores que seria a busca por inovação e desenvolvimento de novos produtos e habilidades no intuito de conquistar espaço e reconhecimento, mais um ponto positivo caso a tendência apontada se confirme.

Levando em consideração esses aspectos é natural pensar que o Brasil está atraindo mão de obra especializada sem qualificação, apesar de não constar nas estatísticas do Ministério do Trabalho, possivelmente essa população não dê entrada nos pedidos de autorização de trabalho, fato que aumenta a informalidade. Para que se aproveite ao máximo os benefícios dessa tendência seria necessária a adoção de políticas específicas para o nicho de interesse, como reduzir a burocracia para emissão de autorizações para trabalhadores com formação técnica e especializada, ao mesmo tempo dificultando a emissão aos candidatos sem qualificação.

Por todos esses aspectos, é-se levado a acreditar que o país está frente a uma grande oportunidade de se consolidar como um importante player da economia mundial, atraindo IED, profissionais e se modernizando. A tendência apontada pelos números no ministério do trabalho, somado a realização de grandes eventos nos próximos anos a exemplo do Encontro Mundial da Juventude da igreja católica, Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016 é a verdadeira oportunidade do Brasil para ganhar a mais importante das medalhas de ouro.

A recuperação das exportações sergipanas em 2011*

*Publicado no Jornal da Cidade em 08/01/2012

Ricardo Lacerda

Professor do Departamento de Economia da UFS

Assessor Econômico do Governo de Sergipe

Qualquer avaliação do comportamento do comércio exterior sergipano não deve desconhecer o peso pouco expressivo que tem o setor externo na dinâmica de crescimento da economia estadual. Considerando a soma das exportações e das importações (a chamada corrente de comércio) e comparando-a com o PIB, é possível afirmar que o comércio exterior é cerca de sete vezes menos importante para Sergipe do que para a média do país (calculando com o PIB de 2009 e o comércio exterior de 2011).

Isso se deve ao fato de que os segmentos mais importantes da economia sergipana, vinculados à sua base de recursos minerais, foram erigidos ao longo das últimas quatro décadas visando o atendimento do mercado nacional. Se o coeficiente de abertura da economia brasileira é relativamente restrito, a economia sergipana depende ainda mais do comportamento do mercado interno brasileiro para crescer.

Ainda assim, algumas atividades da economia sergipana, como a citricultura, a fabricação de calçados e a fabricação de açúcar são muito dependentes do mercado externo, de forma que, quando as exportações dos seus produtos vão mal, as áreas que concentram tais atividades perdem ocupação e renda, e quando as exportações retomam a trajetória de crescimento, o emprego e renda tendem a reagir positivamente nas economias locais.

É nesse sentido, que devemos comemorar a continuidade da recuperação das exportações sergipanas em 2011, notadamente a expansão nas vendas do suco concentrado de laranja.

Retomada

A partir de 2004, as exportações sergipanas, a exemplo do que ocorreu no Brasil, iniciaram uma trajetória fortemente ascendente, que foi interrompida pela crise de confiança da economia mundial de 2008/2009.

Muito dependente do comportamento das vendas dos sucos de laranja concentrado, as exportações sergipanas sofreram maior retração relativa e demoraram mais a se recuperar do que a média do país.

Apesar de certa reação em 2010, o valor das exportações (US$ 76,7 milhões), situou-se somente um pouco acima da metade dos US$ 144, 8 milhões de 2007 e ainda inferior aos US$ 79 milhões de 2006. Com o resultado favorável de 2011, as exportações sergipanas confirmaram a sua trajetória de recuperação, somando US$ 122 milhões, o segundo melhor resultado de sua história (ver Gráfico).

Fonte: MDIC-SECEX

 

Suco de laranja

As atividades de fabricação de sucos, de calçados e de açúcares responderam por cerca de 90% das exportações sergipanas de 2011, sendo que as exportações de suco concentrado de laranja representaram 51,7% do total. As outras duas atividades destacadas tiveram importante expansão, mas foram as vendas externas de sucos que asseguraram, de fato, a forte retomada em 2011.

A tabela a seguir apresenta o valor, as toneladas e o valor médio da tonelada das exportações sergipanas de suco de laranja concentrado congelado (FCOJ), entre 2003 e 2011.

Depois de atingirem, em 2007, US$ 71,4 milhões, as exportações sergipanas de suco concentrado de laranja, abaladas pela retração no mercado internacional, despencaram, até atingir US$ 20,1 milhões, em 2009. A trajetória foi empurrada para baixo pela queda do preço médio da tonelada exportada que, depois de atingir US$ 1,9 mil, em 2007, caiu para US$ 886, em 2009 (ver Tabela).

Fonte: MDIC-SECEX
 

Em 2010, ocorreu um fenômeno interessante, que mostra a defasagem temporal que surge em algumas ocasiões entre a reversão dos preços e a resposta da produção, que é relativamente inelástica no curto prazo. Naquele ano, os preços internacionais começaram a se recuperar, com a tonelada exportada tendo alcançado US$ 1,6 mil, sem que a quantidade exportada tenha esboçado reação, mantendo a trajetória de queda, passando de 22,7 mil toneladas em 2009, para 20,9 mil toneladas. Observe-se que entre 2005 e 2006 ocorreu fenômeno semelhante, com a elevação do preço médio e a queda do volume de exportações.

O mais importante é que a continuidade da recuperação dos preços internacionais em 2011 assegurou a retomada das exportações de suco de laranja, tanto em termos do valor exportado, mas, especialmente importante, do volume comercializado que atingiu 30,6 mil toneladas, causando impactos positivos na região sul do Estado.

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